Menu de Navegação

Caminho de Navegação

Página que exibe uma única notícia

Relato de sobrevivente de Auschwitz encerra programa de capacitação

Gabriella Schwartz, que prefere ser chamada simplesmente de Gitta, era uma jovem judia com pouco mais de 15 anos quando, em agosto de 1944, foi deportada de Satu Mare, atual Romênia, para o campo de concentração de Auschwitz, Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial. A deportação, para a morte imediata ou o trabalho escravo, causou a perda instantânea dos pais e dois irmãos, mas Gitta conseguiu sobreviver, junto com uma tia e uma prima. Ela passou três semanas no campo, “não muito tempo, mas o bastante”, segundo suas próprias palavras, antes do trabalho em uma fábrica de munições e uma marcha forçada, até a liberação pelo Exército da União Soviética.

Hoje com 92 anos, ela vive em São José, município vizinho de Florianópolis (SC), e contou parte de suas experiências esta tarde (terça-feira, 11/6/2019), no Auditório da Justiça Federal em Santa Catarina (JFSC), na Capital. Expressando-se com lucidez, clareza e algumas palavras em espanhol, o relato emocionou o público formado por juízes, servidores, estagiários e outros interessados. A atividade integrou a edição deste ano do Programa de Desenvolvimento Gerencial da JFSC, que tem como tema a inclusão e a acessibilidade, com inspiração na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.

Com o auxílio eventual da neta Gabriela Schwartz, Gitta não citou detalhes do extermínio perpetrado pela Alemanha nazista, bastante documentado, mas não deixou de falar da fome, do frio e da cruel falta de perspectiva. Ao responder uma pergunta da plateia, sobre se em algum momento havia perdido a esperança, ela disse apenas que queria continuar vivendo – “afinal, quem quer [queria] morrer?”. Gitta também não se esquece dos trajes listrados em azul e branco e, em outro momento, deu a entender que fora quase um privilégio conservar um pouco de cabelo, depois de implorar para que não o cortassem quando chegou ao campo. “Ninguém pode explicar, nem imaginar, sentir o que sentiam nessa situação”.

A atividade teve a participação da diretora do Foro da JFSC, juíza federal Claudia Maria Dadico, e da diretora do Núcleo de Acompanhamento e Desenvolvimento Humano, Ana Lucia Silva de Sousa. Ao final, quando a magistrada lhe perguntou que mensagem ela deixaria para o público, Gitta concluiu: “aproveitem a vida, tenham cuidado, que não se caia de novo numa desgraça”. Sua experiência inspirou o livro “A tenda branca”, de Salus Loch.